SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR PEDIRÁ AO GOVERNO CRIAÇÃO DE POLÍTICA DE ESTADO PARA O SETOR

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

FOTO CARLOS SIENO setor nuclear brasileiro vive a expectativa da retomada das obras da usina Angra 3. Mas além do reinício do projeto, o segmento se movimenta para apresentar ao governo os seus pleitos. Na edição deste ano do Seminário Internacional de Energia Nuclear (SIEN), entre 21 e 23 de junho, no Centro de Convenções Bolsa do Rio (RJ), representantes da indústria vão elaborar um documento defendendo a criação de uma política de Estado voltada à fonte nuclear. De acordo com o diretor do evento, Carlos Emiliano, esse é um pedido antigo do setor e, por isso, ao final do evento, a ideia é elaborar uma carta endereçada ao governo, ao legislativo e às comissões de Minas e Energia, defendendo a medida. Paralelamente ao SIEN, acontecerá a Exponuclear, uma mostra de tecnologias e soluções para a cadeia. “A ideia é aproveitar esse momento de retomada de Angra 3 e trazer o que existe de tecnologia de geração em reatores no mundo. O Brasil hoje precisa de soluções de construções mais rápidas e de redução de custos“, explicou Emiliano.

Quais serão os principais temas que entrarão em debate no seminário?

Nesse ano, o tema central será a retomada das obras da usina de Angra 3, porque essa é uma expectativa muito grande do setor. O governo busca alternativas para retomar as obras. Com essa crise econômica, dificilmente a solução sairá somente do governo. Então, a discussão que permeou todos os debates sobre a retomada girou em torno da participação do setor privado no empreendimento. A própria Eletronuclear e o Ministério de Minas e Energia estão analisando essa possibilidade como solução imediata.

O evento também vai discutir outras questões que basicamente estão ligadas ao desenvolvimento ao programa nuclear brasileiro, como a questão da aceitação pública e o reator multipropósito. Vamos discutir modelos de gestão para o desenvolvimento nuclear no Brasil, que esta se buscando formas diferentes, inclusive com participação de empresas estrangeiras.  A questão nuclear é irreversível. O Brasil tem se utilizado das termelétricas, mas que não são a melhor opção. É uma escolha que vai na contra mão do mundo, em virtude das mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases poluentes.

Sobre os novos modelos de gestão, como está este debate hoje?

Essa questão envolve muito a questão da jurídica do Brasil. Existem pessoas que querem um Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para permitir o crescimento da participação privada. Outras correntes defendem o Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Essa é uma questão que está ainda sendo discutida e que precisa ser resolvida. O investidor estrangeiro quer ter segurança jurídica para viabilizar recursos. A regulação tem que ficar muito clara para que investidores tenham segurança.

Na sua opinião, quais seriam os melhores caminhos para a retomada de Angra 3?

Essa é uma questão que compete exclusivamente à Eletronuclear, mas na minha visão, acho que vai ser difícil fugir do modelo de parcerias. No curto prazo, com essa crise que atravessamos, essa será a saída. Além disso, vai ser difícil tocar o projeto de construção de 12 novas usinas até 2050 só com recursos do governo. Então, vejo como caminho mais viável o estabelecimento de parcerias no setor nuclear, assim como o governo está fazendo em outros setores. 

Qual a importância do Brasil investir em novas usinas nucleares?

Todo esse processo de aquecimento tem que ser freado e a energia nuclear é, sem duvida nenhuma, uma das poucas alternativas que você tem para gerar energia de forma firme e limpa. O Brasil está muito dependente de fontes hidrelétricas. As fontes solar e eólica são importantes, mas a opção mais viável é a energia nuclear. Nosso país tem uma das maiores reservas de urânio do mundo e tem tudo para desenvolver a indústria nuclear. É fundamental a aceitação pública, mas por conta de desastres como Fukushima, algumas pessoas têm o pé atrás. No entanto, a nuclear é uma das fontes mais seguras de geração. Os próprios acidentes servem de alerta para mudar os modelos e tornam as centrais cada vez mais seguras.

Como o setor nuclear pode melhorar sua comunicação com a sociedade?

A informação é fundamental. A população precisa estar informada. Nós inclusive planejamos, no seminário deste ano, fazer um debate e convidar alguns jornalistas para tratarmos do tema nuclear. Sabemos do impacto que uma notícia negativa, como o desastre de Fukushima, tem. Mas uma vez que a população não tem conhecimento, vai ter receio em relação à fonte. Por isso queremos fazer esse debate durante o seminário, para discutir e entender a visão da mídia.

Outro fator é que muitas pessoas quando pensam em nuclear, logo se lembram de bombas. Mas a fonte nuclear tem vários usos, como na medicina, por exemplo. Trata-se de uma questão estratégica também para o submarino nuclear, que é uma ferramenta de defesa da soberania nacional. Já com o reator multipropósito, poderemos deixa de importar radioisótopos. Enfim, a energia nuclear é fundamental.

Que dificuldades o setor nuclear precisa superar para se desenvolver no Brasil?

Nesse ano, o objetivo do SIEN é divulgar uma carta que ressaltará a necessidade de uma política nuclear de estado. Essa é uma discussão antiga e que esteve presente nos seminários passados. O setor nuclear precisa de uma política de Estado e não de governo – ou seja, mesmo que haja mudança no governo, essa política continuará.  A indústria nuclear gera muitos empregos e nesse momento o Brasil precisa disso. Então, encaminharemos essa carta ao governo, para o legislativo e comissões de Minas e Energia, defendendo essa posição.

Quais serão as novidades que serão apresentadas na Exponuclear?

A ideia é aproveitar esse momento de retomada de Angra 3 e trazer o que existe de tecnologia de geração em reatores. O Brasil hoje precisa de soluções de construções mais rápidas e de redução de custos. Na minha opinião, o Brasil precisa e deve ter plantas nucleares com custos menores e com construção mais rápidas. No exterior, os chineses já constroem plantas em 5 anos, por exemplo.

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