ABDAN E WNU COMPLETAM 10 ANOS DE PARCERIA E BUSCAM ATRAIR MAIS JOVENS PARA O SETOR NUCLEAR

Por Daniel Fraiha (daniel@petronoticias.com.br) –

abdamA Associação Brasileira de Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) e a World Nuclear University (WNU) estão completando 10 anos de parceria em 2017, somando 13 cursos realizados ao longo desse período, com mais de 1.000 participantes, e pretendem estreitar cada vez mais os laços. A relação de longa data é vista como um sucesso pelos líderes das duas entidades, Antonio Müller, que comanda a ABDAN há anos, e Patricia Wieland, que dirige a WNU globalmente. Os dois estiveram à frente do curso realizado no Rio de Janeiro nesta semana, que reuniu alguns dos maiores nomes do setor nuclear nacional e internacional nas instalações da Nuclep, e dão continuidade ao programa nesta quarta-feira (5), para uma edição do evento em São Paulo, no IPEN. O maior foco da parceria, que deverá contar com mais ações nos próximos anos, é a atração dos jovens para o segmento e a qualificação dos profissionais no País.  “Precisamos focar muito nos jovens, para repor os quadros, porque muita gente se aposentou, muita gente saiu do segmento, então é realmente o momento de investir neles”, afirmou Müller.

Como se dá a parceria da ABDAN com a WNU?

Patricia Wieland – A World Nuclear University trabalha com parcerias com varias entidades em todo mundo, podendo ser indústrias, entidades, associações. E, no caso do Brasil, a WNU já trabalha com a ABDAN há 10 anos. É uma parceria muito interessante, muito boa, e está completando agora 13 cursos realizados no País.

Antonio Müller – Acho que para a Abdan foi um upgrade. O nível das pessoas que participam é altíssimo, nomes reconhecidos no mercado internacional. A primeira turma desse curso foi no Rio de Janeiro e até hoje já tivemos mais de 1.000 participantes nesse curso, então realmente essa cooperação, essa parceria, de longa data e de sucesso, é impressionante. Tanto a WNU quanto a ABDAN contribuíram muito para a educação dos jovens. Hoje ver a grande quantidade de jovens universitários na área nuclear é muito gratificante.

Recentemente uma brasileira ganhou inclusive a Olimpíada Nuclear Mundial. Acreditam que esse tipo de destaque é fruto disso? Como avaliam esse novo cenário que está se formando na formação de jovens?

Patricia Wieland – Acho que um dos fatos bastante importantes é que aqui no Brasil existe graduação em engenharia nuclear, levando os jovens a estudar o assunto antes de fazerem o mestrado ou doutorado. Com isso, muita gente ao foi atraída para o setor nuclear. A Olimpíada foi bastante promovida nas universidades de todo mundo e acho que aqui conta muito a motivação. Tem que ter muita coragem para entrar numa olimpíada como essa. Não basta ser bom aluno. É preciso também aceitar desafios e a WNU trabalha muito com esse foco, oferecendo desafios para a vida profissional. A transmissão de conhecimento já ocorre em muitos cursos, mas esse tipo de ação demanda um crescimento pessoal e profissional para aceitar desafios em vias de se tornarem os futuros líderes.

A ABDAN vê esses jovens buscando o apoio da associação neste sentido?

Antonio Müller – Muito. Inclusive o pessoal da Young Nuclear Generation conversa muito com a gente. Temos ajudado muito e neste momento precisamos focar muito nos jovens, para repor os quadros, porque muita gente se aposentou, muita gente saiu do segmento, então é realmente o momento de investir neles. Para nós é um prazer isso, e ainda mais porque quem lidera esse esforço na WNU é a Patrícia, que conhece muito o mundo e também particularmente o Brasil. É uma parceria de grande sucesso. Nós dois temos que nos orgulhar muito, porque é uma contribuição muito grande para o País.

Existe uma dificuldade em compreender a energia nuclear, já que ainda existe preconceito quanto à fonte. Como vocês veem essa situação e como pretendem mudar esse quadro no Brasil e no mundo?

Patricia Wieland – Olha, acho que a Olimpíada ajuda muito, porque foca nos estudantes. Em particular, nessas duas últimas duas edições que fizemos, a primeira etapa da competição era produzir um vídeo para o Youtube promovendo a fonte. Esses vídeos foram vistos por mais de 100 mil pessoas. Atingiram um grande número.  Nós vivemos hoje na mídia social e por isso participamos de vários canais de comunicação. Todos têm o seu papel na comunicação com o público. Eu, por exemplo, falo com minha família e amigos e nenhum deles tem alguma questão contra a energia nuclear. Acho que o maior exemplo que podemos dar no Rio de Janeiro é o fato de que numa sala com 10 lâmpadas acesas, 3 delas estão usando a energia da usina de Angra. Outro fato interessante é que Angra era um paraíso em 1970. Hoje, em 2017, continua sendo o mesmo paraíso. A usina nuclear não trouxe impactos negativos. Muito pelo contrário, promoveu o desenvolvimento de estradas, hospitais e uma fauna marítima mais rica. É um exemplo vivo.

Antonio Müller – Eu escuto uma frase há mais de 40 anos: “a indústria nuclear se comunica mal”. E o pior, se comunica como técnico. Fala que é seguro porque, por exemplo, existem várias barreiras. Mas quem não conhece o assunto fica assustado, questionando o motivo de tantas barreiras. Nós nos comunicamos muito mal. Há um esforço muito grande para investir muito nessa parte de comunicação.

O Brasil tem que investir na energia nuclear. Se isso não for feito, teremos sérios problemas de fornecimento de energia. Hoje em dia, as hidrelétricas de barragem estão com os reservatórios em baixa. A situação é crítica e temos que olhar para frente.

Quais são as novas metas da parceira entre a ABDAN e a WNU para os próximos anos?

Patricia Wieland – Nós estamos à disposição, depende muito do apoio da indústria. A ajuda para divulgar o curso é muito importante, porque torna mais fácil. Esse curso foi gratuito e conseguimos atrair bastante gente graças ao apoio da ABDAN e das indústrias.

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