FONTE NUCLEAR PODE REPRESENTAR 25% DA ENERGIA MUNDIAL ATÉ 2050

Por Daniel Fraiha (daniel@petronoticias.com.br) – 

ABDANA geração de energia nuclear tem sido cada vez mais vista como uma das soluções viáveis para reduzir as emissões de carbono na atmosfera, ao mesmo tempo em que atende a demanda energética de diversos países, mas as metas traçadas para 2050, de adicionar 1000 novos GW, vão demandar muito empenho das nações. É o que diz Helmut Engelbrecht, Presidente do Conselho da World Nuclear Association (WNA), que prevê a entrada em operação de 50 GW novos até 2020. O executivo é um dos convidados para o curso promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) e pela World Nuclear University (WNU), nesta segunda-feira (3), nas instalações da Nuclep, no Rio de Janeiro.

De acordo com Helmut, as metas traçadas pela associação, de ter 25% da produção de energia mundial suprida pela fonte nuclear até 2050, são ousadas, mas podem ser atingidas com o comprometimento dos países, além de serem fundamentais para garantir uma matriz global menos poluente. “Todo político que atrasa a decisão de aproveitar a energia nuclear está prejudicando a população”, afirmou, lembrando que a nuclear não gera emissões de gases poluentes, tem alto nível de segurança e tecnologias avançadas para cuidar dos rejeitos.

Além disso, segundo o executivo, apenas um quilograma de urânio é capaz de gerar 45 mil KWh, que demandariam 14 mil quilos de carvão ou 10 mil quilos de óleo para a mesma capacidade de geração elétrica. Em relação à segurança, Helmut destaca que esta é e sempre foi a maior preocupação da indústria, que mantém os padrões mais altos de avaliação e análise dos critérios de segurança em relação às tecnologias.

“Em todos os congressos e conferências do setor, este assunto é sempre abordado com muita atenção e a troca de informações é contínua no mundo, mas a nossa dificuldade é levar isso para além dos círculos especializados”,afirmou.

Para ilustrar como é uma tecnologia avançada e segura, o executivo elencou países desenvolvidos que possuem muitas usinas nucleares, como Estados Unidos, França, Suíça e Suécia, entre outros. No entanto, ele ressalta que o caminho ainda é longo para melhorar a imagem da indústria em relação à população, com desafios maiores ou menores a depender de cada país. Outra questão que precisa ser encarada com mais atenção para que as metas do setor sejam atingidas até 2050, na visão de Helmut, é o avanço do licenciamento internacional. Com um processo integrado e validado globalmente, a construção de novos reatores poderia ganhar um ritmo mais veloz e haveria redução de custos, já que muitas vezes há retrabalho desnecessário.

O executivo citou como exemplo o caso de um reator da Westinghouse, que já havia sido licenciado e construído nos EUA, mas, quando o Reino Unido decidiu fazer um igual, o licenciamento precisou ser refeito do zero, o que gerou um atraso de cinco anos e um custo extra de US$ 2 bilhões ao final do projeto.

“Nossa indústria precisa trazer novas soluções, para tornar os processos mais ágeis e para lidar melhor com a dificuldade de conseguir o apoio da sociedade,” concluiu.

O curso sobre energia nuclear reúne os maiores nomes da indústria nacional, incluindo executivos como Antônio Müller e Celso Cunha, da ABDAN, Patrícia Wieland, da WNU, João Tupinambá, da INB, e Liberal Zanelatto, da Nuclep, entre outros. Na terça-feira (4), haverá uma visita técnica à fábrica de combustível da INB, em Resende, e na quarta (5) o curso terá uma nova edição em São Paulo.

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