ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS DA PETROBRÁS CRITICA QUEBRA DO CONTEÚDO LOCAL E DIZ QUE ISSO LEVARÁ O BRASIL A UM NOVO CICLO COLONIAL

Por Daniel Fraiha (daniel@petronoticias.com.br) –

Felipe CoutinhoA decisão do governo de quebrar o conteúdo local atingiu em cheio a indústria, os trabalhadores e as lideranças do setor de óleo e gás, inclusive os engenheiros da Petrobrás, que veem o País tomando medidas que vão esvaziar a cadeia nacional de fornecedores, enviando empregos e divisas para outros países. O presidente da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Felipe Coutinho, é um dos críticos à decisão e fala ao Petronotícias sobre as consequências que essa posição pode gerar, como a criação de um novo “ciclo colonial” no Brasil. “Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais. O Brasil não será o primeiro”, alerta.

Como a Aepet recebe a decisão do governo em relação ao conteúdo local?

É mais uma decisão lamentável. A alteração da Lei da Partilha com o afastamento da Petrobrás do direito da operação foi o primeiro golpe. Depois, a renovação do Repetro, prorrogando os subsídio e favorecendo a importação de bens e serviços. Agora a redução brutal do conteúdo local mínimo. Somadas às declarações de intenção na aceleração nos Leilões.

Todas essas medidas favorecem as multinacionais e a exportação do petróleo cru, sem agregação de valor.

São medidas que concentram a renda petroleira e favorecem as multinacionais do petróleo e os bancos. Em contradição com alternativas que incentivem o desenvolvimento nacional e a distribuição da renda petroleira na economia brasileira, em benefício da maioria da população.

Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais. O Brasil não será o primeiro.

– Qual será o impacto disso na indústria brasileira?

Mais desindustrialização.

Estamos entrando em mais um ciclo do tipo colonial. Como nos outros, ele beneficia uma pequena elite, por algum tempo. A maioria fica alijada dos ganhos no período próspero, mas herda o caos econômico, social e ambiental quando o ciclo se esgota. Os lucros são privatizados e os prejuízos socializados.

– Como pretendem reagir a isso?

A Aepet tem um papel essencialmente formulador. Travamos a disputa das ideias em favor da maioria dos brasileiros. Neste tema, como em outros, apresentamos críticas fundamentadas e alternativas. Também nos articulamos com outros setores organizados para disputar o senso comum.

Nossa defesa da Petrobrás e do petróleo brasileiro visa atender aos legítimos anseios da maioria, dos brasileiros que vivem do trabalho, estudam ou dependem da seguridade social.

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4 Comentários em "ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS DA PETROBRÁS CRITICA QUEBRA DO CONTEÚDO LOCAL E DIZ QUE ISSO LEVARÁ O BRASIL A UM NOVO CICLO COLONIAL"

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luciano Seixas Chagas
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A AEPET se posiciona com absoluta propriedade. Os entreguistas e responsáveis pela recessão absurda, chamarão as colocações de “ranço ideológico” que virou, para Parente e companhia(aliás grande companhia plumada que cada vez mais governa o País sem ser eleito e posterga decisões judiciais até a próxima eleição) sinônimo de desemprego, nacionalismo, amor próprio etc. Pior que está malsinada caravana de covardes passará a passos lentos deixando um rastro de destruição que levará anos para se dar a reconstrução. Vamos reagir no Judiciário gente! A proposito, tem desembargadores em Sergipe que ganharam, no mês de fevereiro, salários e penduricalhos superiores a… Read more »
David Almeida Schmidt
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Governo golpista e entreguista.

joão batista de assis pereira
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joão batista de assis pereira
POSTAGENS NA WEB DE FATOS PRETÉRITOS DOCUMENTADOS POR UM ENGENHEIRO QUE TESTEMUNHOU O DESENROLAR DO PETROLÃO. https://www.linkedin.com/pulse/postagens-na-web-de-fatos-pret%C3%A9ritos-documentados-por-pereira?trk=pulse_spock-articles Os comentários pretéritos que efetuei na mídia acerca das improbidades administrativas com indícios relevantes de corrupção que presenciei na Petrobras como engenheiro especialista em contratações de grande porte e gestão de contratual retratam o conhecimento pleno de um profissional dos ilícitos que presenciou na Estatal, que em momento algum abdicou de relatar e dar conhecimento público. As entrevistas concedidas, as postagens e comentários que produzi na mídia naquela oportunidade decorreram de fatos e condutas que testemunhei quando prestava serviços para a Petrobras em… Read more »
joão batista de assis pereira
Visitante
joão batista de assis pereira
BANDALHEIRA EM CURSO NA PETROBRAS. MINISTÉRIO PÚBLICO COBRA MAIS TRANSPARÊNCIA DA PETROBRÁS EM LICITAÇÕES https://www.petronoticias.com.br/archives/94665 O Demonstrativo de Formação de Preços sempre foi fornecido nos certames licitatórios na Petrobras, no que são dados tratamentos de sigilo e confidencialidade por conta de procedimentos corporativos internos na Estatal. Ocorre que na atualidade, esse documento não serve para nada, já que o demonstrativo de formação de preços fornecido, via de regra, não guarda relação alguma com as propostas fornecidas pelas licitantes à Petrobras. Na atualidade, a Estatal não possui um quantitativo mínimo necessário de profissionais qualificados para analisar corretamente esses demonstrativos por serem… Read more »
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