ENTIDADES DISCORDAM SOBRE NOVA PROPOSTA DE CONTEÚDO LOCAL PARA PLATAFORMAS, MAS NEGOCIAÇÕES SEGUEM

Surpresa e reviravolta nas negociações envolvendo entidades que representam a cadeia nacional de fornecedores. As conversas voltaram três casas, deixando as empresas brasileiras novamente sem saber como será o modelo de conteúdo nacional a ser apresentada por seus representantes. Conforme o Petronotícias já havia noticiado, diversas associações se reuniram na última semana para definir uma nova proposta de conteúdo local que seria levada à Agência Nacional de Petróleo (ANP). Segundo uma fonte envolvida nas negociações, aparentemente exista um consenso entre as entidades após a última reunião entre elas. Contudo, dias após, em um novo encontro, desta vez com representantes da ANP, veio a surpresa: uma das associações, a Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo) recuou.

Aparentemente, o pessoal da Abespetro tinha se convencido de que poderia atingir o consenso com as demais entidades. Deixamos para fazer a nova reunião, com a ANP, acreditando que iria haver consenso“, lamentou o representante de uma das entidades ouvido pelo Petronotícias. Esse executivo acrescenta ainda que o recuo da Abespetro surpreendeu a todos os envolvidos na negociação. Segundo ele, no encontro com a ANP, a Abespetro deixou de lado a proposta que havia acertado com as demais entidades e voltou a defender percentuais menores de conteúdo local.

A Abespetro recuou para um número bem mais baixo do que o apresentado pelas demais associações, o que frustrou um pouco a todos. Frustrou até mesmo a própria ANP, que esperava que houvesse um consenso. Todos foram na hipótese de que haveria um caminho amplo para debater uma proposta base que estava estabelecida por todas as entidades“, disse a fonte ouvida por nossa reportagem.

Mesmo com a surpresa negativa, as conversas não chegaram ao fim. A ANP deu mais tempo para que as associações voltem à mesa de negociações para, de fato, chegarem a um consenso sobre uma proposta de percentuais de conteúdo local. “O entendimento continua a ser perseguido. A ANP pediu que as entidades continuassem, por mais alguns dias, a buscar esse consenso. Para agência, é mais confortável tomar qualquer atitude em concordância com as associações. O ideal é que todas cheguem a uma conclusão única, e que seja boa para todos. Cada um cede um pouco para perseguir o melhor possível“. A fonte ouvida pelo Petronotícias, contudo, explicou que não havia condições de ceder mais e aceitar o percentual menor proposto pela Abespetro.

Embora o executivo entrevistado pela reportagem não tenha confirmado qual seria o percentual defendido pela maioria das entidades, ele disse que esse índice seria de 40% de conteúdo nacional para plataformas offshore. E a Abespetro teria defendido um número menor que este. O Petronotícias procurou a ANP para confirmar os percentuais e detalhes da proposta apresentada no encontro, mas a agência, em nota, afirmou que não se pronunciaria sobre o caso.

No contrato da 14ª rodada, por exemplo, está definido que na Etapa de Desenvolvimento, ou para cada módulo de Desenvolvimento, em Campos em Mar com lâmina d’água acima de 100 metros, a Construção de Poço terá percentual de 25%; o Sistema de Coleta e Escoamento da Produção 40%; e a Unidade Estacionária de Produção (UEP) ficaria com apenas 25%.

Estes índices já foram criticados e receberam sugestões da indústria nacional. A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) havia sugerido que as plataformas tivessem os 25%, sendo que metade em bens e metade em serviços. Já a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) defendeu que as UEP tivessem os 25% do valor total, sendo, no mínimo, 20% do valor total em bens.

Deixe seu comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

Notify of
avatar
wpDiscuz