NUCLEP BUSCA NOVOS CONTRATOS DE CONSTRUÇÃO DE EQUIPAMENTOS NO MERCADO EXTERIOR

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

Carlos Henrique Silva SeixasO Plano Decenal de Expansão de Energia jogou uma ducha de água fria nas aspirações do setor nuclear brasileiro. A esperança de que a fonte fosse privilegiada no planejamento deu lugar a um sentimento de incerteza, já que o governo não sinalizou a construção de novas centrais nucleares. Neste cenário, a Nuclep, criada em 1975 para fabricar equipamentos nucleares para o Brasil, vai recorrer ao mercado exterior em busca de novos negócios. O presidente da companhia, Carlos Henrique Silva Seixas, explicou que a Rosatom, da Rússia, tem o interesse de ampliar presença no mercado nuclear da Argentina e que a Nuclep fabricaria os equipamentos para a empresa russa. Em um ambiente sem a perspectiva de novas usinas nucleares no Brasil, o executivo afirmou que a “luz no fim do túnel” da Nuclep tem sido a Marinha, com quem deve assinar no próximo ano o contrato para a construção do casco do submarino nuclear brasileiro.

Em que fase estão os principais projetos da Nuclep atualmente?

Nós estamos terminando os últimos equipamentos de Angra 3. Basicamente, são os acumuladores e condensadores. Até o final do ano, vamos entregar todos os equipamentos da usina. E o principal projeto da Nuclep hoje é com a Marinha, o que é “lamentável”, porque gostaríamos de estar trabalhando em outras usinas. Mas hoje o nosso principal projeto é a Marinha do Brasil na confecção dos quatro cascos dos submarinos da classe Scorpene. Também estamos construindo os equipamentos da propulsão nuclear e, futuramente, tenho convicção de que assinaremos o contrato para a construção do casco resistente do submarino nuclear.  

As negociações envolvendo o casco do submarino nuclear já começaram?

Sim, já começaram. Estamos dependendo apenas do cronograma da Marinha, que também está com algumas restrições orçamentárias. Por conta disso, está ocorrendo uma postergação dos prazos. Inicialmente, nós tínhamos a ideia de assinar o contrato nesse ano de 2017, mas provavelmente isso vai se arrastar para o ano de 2018. O casco com certeza vai ser construído no Nuclep porque está tudo sendo feito lá. Nós fizemos os cascos dos submarinos classe Tupi e estamos construindo os cascos dos submarinos Scorpene. Não há porque não sermos nós a construir o casco do submarino nuclear.

O plano decenal de energia não privilegiou a fonte nuclear. Qual sua avaliação a respeito?

É preocupante. A Nuclep está tendo que se readequar porque, como sempre digo, a empresa foi criada com o foco na construção de equipamentos pesados da área nuclear, mas houve uma descontinuidade dos projetos, após a conclusão de Angra 1 e Angra 2 e agora com Angra 3 parada. Não há previsão de novas centrais. Inicialmente, teríamos mais quatro usinas na área do Nordeste, mas os projetos não foram adiante.

Qual a consequência disso?

Teve uma coisa muito importante discutida na abertura do SIEN, que é a necessidade de manter a mão de obra. Não podemos perdê-la. A mão de obra da Nuclep é extremamente qualificada e não pode ser perdida. Aquele funcionário caldeireiro ou soldador, por exemplo, que fez curso no exterior, precisa ser mantido. Nesse momento, quem está ajudando muito a Nuclep é a Marinha. Toda a parte da propulsão e os cascos dos submarinos estão sendo feitos por nós, como disse anteriormente. Se não fosse isso, nós estaríamos em uma situação muito pior.

Quais são as perspectivas com o futuro?

Nós temos uma projeção de trabalho no futuro, porque esse projeto nuclear é para a década de 20. Então, temos trabalhos pela frente. Nós estamos produzindo alguns equipamentos para o Labgene (Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica) e já estamos construindo alguns equipamentos do reator nuclear para colocação no submarino. Hoje, a luz no fim do túnel para a Nuclep é a Marinha.

E quais são os novos negócios da Nuclep para os próximos anos?

Temos uma parceria com a Rosatom e estamos buscando mercados no exterior. Somos uma empresa de caldeiraria pesada, além da parte nuclear. Então, temos ideias de trabalhar em projetos fora do país. Por exemplo, a usina Atucha 2, na Argentina, tem alguns equipamentos produzidos por nós. Nós temos intenção e esperança de que possamos participar da construção de equipamentos pesados e nucleares em outros países. Recentemente eu estive no evento “Atomexpo”, na Rússia, e lá a Rosatom busca parceria para construção de usinas em outros países. E, na América Latina, com certeza a Nuclep é a construtora da Rosatom, que está buscando entrar em futuras construções na Argentina. Se isso for viabilizado, a Nuclep vai estar junto com a Rosatom.

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