NIPLAN AMPLIA CONTRATOS COM SETOR DE MINERAÇÃO

Por Daniel Fraiha (daniel@petronoticias.com.br) - 

Paulo NishimuraHá muitos anos a Niplan tem como uma de suas principais estratégias a diversificação, para não ficar dependente de determinados setores ou empresas, assim como para escapar de eventuais oscilações e maus momentos em segmentos específicos. Nessa linha, a empresa reduziu um pouco sua participação no setor de óleo e gás em 2013, para cerca de 20%, ampliando o número de contratos com a área de mineração, agora em torno de 40% a 50%. Ainda assim, o presidente do conselho de administração da Niplan, Paulo Nishimura, conta que estão aguardando novas licitações da Petrobrás, tendo como um dos focos a produção de módulos para FPSOs. Caso a empresa consiga conquistar contratos deste tipo, o projeto de construir um estaleiro em Aratu, na Bahia, deverá ganhar novo impulso.

Quais foram os principais contratos fechados pela Niplan em 2013?

Um dos contratos mais importantes desse ano é a nova planta química da Basf, lá em Camaçari (BA), de cerca de R$ 250 milhões. Estamos fazendo toda a montagem de estrutura metálica, eletromecânica completa e uma parte complementar da construção civil. É um complexo de ácido acrílico, para superabsorventes, principalmente. É o maior investimento da história da Basf na América do Sul.

De quando é o contrato?

Ele começou entre junho e julho e deve durar cerca de dois anos, no total. Ganhamos também o terminal químico da empresa holandesa Vopak em Aratu. Eles vão fazer o desembarque desse produto da Basf, que vem de Camaçari a Aratu, por meio de uma tubovia de uns 15 quilômetros. Vamos construir o terminal, em um contrato de EPC, de cerca de R$ 100 milhões.

E fora da Bahia?

Em Minas ganhamos alguns contratos novos com a Vale, na área de beneficiamento de minério, na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, e de Conceição, em Itabira. Vamos fazer as unidades de beneficiamento, em contratos de cerca de R$ 100 milhões cada um.

A empresa fechou outro contrato com a Vale, certo?

Estávamos fazendo, em Vitória, a parte principal da 8ª pelotizadora da Vale, uma obra gigantesca. Nosso pacote era de 30 mil toneladas de montagem. Ao nosso lado tinha um consórcio de duas empresas que estavam montando 17 mil toneladas, mas eles romperam o contrato com a Vale e nós assumimos por administração. É outro contrato acima de R$ 100 milhões. Ganhamos também este ano uma unidade da Anglo American, lá em Catalão e Ouvidor, em Goiás, de subproduto de fertilizantes.

Vocês estão focando mais na área de mineração?

Na realidade, somos uma empresa que atua em vários segmentos. Esse é um dos motivos pelo qual temos conseguido seguir nesse país difícil. Nossa estratégia é não concentrar nem em segmentos, nem em clientes. Se for ver nossa história, começamos em multinacionais nos segmentos mais diversos, desde alimentício, a químico, farmacêutico, mineração, siderurgia e óleo e gás. Acho que isso nos ajudou a estar de pé. Sou conselheiro da Abemi e vemos muitas empresas que estavam concentradas na Petrobrás e tiveram dificuldades. É muito triste, porque são empresas que às vezes têm 20, 30 anos de vida e acabaram quebrando.

Como é a relação de vocês com a empresa?

A Petrobrás é um cliente importante. É a maior companhia brasileira, acreditamos nela e vamos continuar participando das concorrências. Somos classificados em 22 famílias, sendo as mais importantes de EPC, em nível A, então temos todo o interesse em crescer. Não digo isso no sentido de criticar a Petrobrás, mas é uma estratégia nossa não concentrar em clientes, seja em mineração, em papel e celulose, óleo e gás, ou qualquer área.

Atualmente, quanto o setor de óleo e gás representa na carteira da Niplan?

Eu diria que esse ano está em cerca de 20%. Deveria ser um pouco maior. Mineração está entre 40% e 50%. Química, uns 20%. E o resto distribuído. Hoje temos 7.000 funcionários, dos quais cerca de 10% estão distribuídos em contratos de manutenção de longo prazo. Inclusive, o mais importante é da Petrobrás, na Replan.

Quais áreas devem se destacar em 2014?

Acho que a área de mineração, de um modo geral. Não só minério de ferro, como os outros derivados. As áreas de fertilizantes, cimento, papel e celulose – parece que o ciclo de papel e celulose está voltando – e óleo e gás, evidentemente.

Como estão os planos de construir um estaleiro em Aratu?

Já temos um terreno de 100 mil metros na baía de Aratu, e estamos finalizando a fase de tirar a licença prévia. Nossa intenção é construir um estaleiro para fazer módulos para plataformas e apoio offshore. Estamos aguardando as novas licitações da Petrobrás para poder participar e fazer um investimento com bastante critério.

O que estão olhando na área de óleo e gás?

A parte de onshore, que é mais de curto prazo. Estamos aguardando as licitações das plantas de refino [Premium I e II]. Acreditamos no Brasil, nos projetos brasileiros, arregaçamos as mangas e vamos em frente.


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